06/06/2011

1984

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Nasci num hospital na Tijuca, lugar que nunca me encantou Mas encanta tanta gente -- que me importa sempre gostei de contrariar. Nascido em um dia chuvoso, mijei na cara da partera. Enquanto esperava meu avô um bolo de morango, neste dia. Como cada criança na escola Deixava escapar os país em minha pessoa. Do que descobri em minha vida, Muito se deve a minha infância. Como cada escapada minha era uma briga teimosa deixo-me ver a mim mesmo Como uma continuidade de quem não sou eu. Como um sinal de contradição no mundo. Já pequeno tive que treinar minha língua. Fosse ao lado de pessoas especias, que eu não queria, mas não sabia Que cada pessoa no futuro se pareceria eles. Como imaginar que de uma bicicleta, Teria a imagem mais triste, O esquecer-se, O largar-se e o meu cair Junto ao aprender a levantar e andar nela. Muitos seriam assim no futuro, Muita vez eu teria que saber disso: Levantar-se Que todos são crianças e alguns não têm país. Nem podem correm para suas mães. Sobre cada lugar que estive nessa cidade Mereceria uma poesia, por começar na Sete de setembro Minha independência vagarosa até o Largo da Carioca Hoje sei que ser Carioca é muito além da falsa propaganda. Em Realengo, aprendi a ver como meu quintal, E mais tardiamente perceber que ainda não o conhecia todo. Do medo de tropeçar na rua, uns bons ôculos me ajudaram. Sempre meu fiel companheiro, quebrando normalmente. Hoje vendo além dos imaginados brinquedos de tijolo. Entendendo a fuga de meus primos, e minha coragem de concertar a ferramenta. Ou o beijo que nunca veio de minha namoradinha. Da economia me lembro de juntar moedas perdidas na rua, Agora sei que elas não valiam muito mesmo. Da ecologia, de catar conchinhas na praia de Jaconé, Hoje encontro um redbull, latas e camisinhas. Da ciência, conquisto um artigo "Na príncipal revista específica de Física do mundo" E ganho a miséria do Homem, que é a hipocrisia, de acertar a resposta e errar o desenvolvimento da questão. Mas disso percebi que a verdadeira questão, Não esta nos livros, mas nós olhos de quem pesquisa. Mas falando sobre meu coração, os versos de camões Me implicavam constantemente: Amizade ou Amor? Bem, tem o mesmo radical não é mesmo? Que sou eu. Quem sou eu? Uma pessoa que resolve passar do velho para o novo Sem revolta, mas entendimento de prática na vida. Uma pessoa que prometeu para a criança que era Nunca ser como os adultos que outrora foram. É ridiculo, mas meus amigos se tornaram esses adultos, Mas eu não, nem o quero. Apesar da pressão dos antigos adultos, hoje velhos, Que faço companhia, na solidão que me parece iminente a todos. Tento responder com calma, a mesma que tive quando criança, Que não foi culpa minha, o tempo que é inimigo. Mas como Físico, descubro que o espaço é inimigo também, E quando um desejo enorme de ver o mundo grande me asola, Tenho que aprender a ver meu lugar, meu pouco espaço, meu bairro. E as dificuldades financeiras de não precisar fazer esforço para ter coisas. Mas a coisa qu mais queria era engrandar meu coração Com o amor que levantava-me de Macaé a Sala de Aula, Florescendo a misericordia e diminuindo a raiva das pessoas burras e incompreensives. Queria talvez poder escolher juntamente ser jesuíta e casar em Makita Ou talvez, ser um leigo e ajudar no Concílio de Jerusalém II Colocar amor na bandeira. Mudar Brasileiros para Brasilianos. E por fogo numa comunidade dividida pelo nome de Nossa Senhora. Ter Grandes sonhos Ser grande Homem Parecido com meu Pai. Parecido com meus Avôs e Bisavôs. Teologia do Santuário - 2011-06-06 - 1984
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